Comissão convida mulheres a se candidatarem nas eleições

Representantes de 15 diferentes legendas partidárias participaram nesta quinta-feira (19/9/13), de audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), para defender a maior participação das mulheres na vida política do País. A finalidade da reunião foi debater a campanha nacional “Mulher Tome Partido”, lançada pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados (em Brasília), em prol da filiação e da candidatura feminina nas próximas eleições. “Foi um ato democrático, suprapartidário e motivo de orgulho, exatamente em razão da presença de tantas mulheres militantes de diferentes partidos, mas unidas numa causa comum”, analisou a vice-presidente da comissão, deputada Maria Tereza Lara (PT).
A atividade lotou o auditório da Casa com representantes e lideranças dos partidos PT, PV, PDT, PTB, PP, PCdoB, PR, PPS, PTdoB, PRB, PSD, PSDB, PSB, PMDB e DEM. Todas as participantes expuseram avaliações muito similares a respeito da importância de as mulheres serem não apenas “pró-forma” , mas de fato e de direito, atuantes no universo político-partidário nacional. Além das siglas partidárias, representantes de movimentos sociais de defesa de mulheres e minorias também marcaram presença.
A representante do PSDB Mulher, Eliana Piola, ressaltou que, “independentemente da legenda , o sexo feminino é tratado com indiferença pelos partidos brasileiros. A mulher só é lembrada em véspera de eleição, e só para cumprir cota eleitoral, não por real interesse em ampliar o espaço e a participação. Não há investimento em campanha de mulheres candidatas”, contestou. Ela ainda ressaltou a importância da participação delas na militância dos partidos, na vivência diária da realidade partidária.
Líder da ala feminina do PSB, a ex-deputada Maria Elvira Salles Ferreira lamentou reconhecer o fato de as gerações ali presentes provavelmente não sobreviverem para ver Plenários cheios de mulheres de todas as classe sociais, credos, profissões. Entretanto, ressaltou ela, “isto não é razão para desanimarmos. Pelo contrário, temos de continuar nesta briga pelos nossos espaços. Uma sociedade só é plenamente democrática quando há mulheres ocupando todo lugar”, alertou.
Rita Calazans, do PT , completou a lista de adjetivos, afirmando que “a palavra de ordem da mulher é coragem. Se não tivermos coragem de dizer eu quero, não chegamos em lugar nenhum”, afirmou.
Parlamentares reforçam argumentos por mais mulheres
Representando a bancada feminina da Câmara do Deputados, a coordenadora da campanha, deputada federal mineira Jô Moraes (PCdoB), saudou as militantes de todos os partidos, parabenizando-as por serem “mulheres que acreditam na política como força transformadora”. Jô lamentou o fato de, a despeito de estar comprovado que as mulheres gostam de política, de que se comprometem e se envolvem com política, hoje representam apenas 8,7% dos membros da Câmara Federal e 12% do Senado.
De acordo com a parlamentar, as mulheres “não têm oportunidades, são chamadas apenas para cumprir cotas eleitorais, e o pior como ‘laranjas’”, ironizou. Jô Moraes ainda apresentou peças publicitárias da campanha, impressas e para rádio e TV. Ela solicitou que as direções de todas as legendas se envolvam na divulgação desses materiais, que serão disponibilizados gratuitamente.
Além da vice-presidente da Comissão, a bancada feminina da ALMG foi representada pelas deputadas Liza Prado(PSB), Ana Maria Resende (PSDB) e Luzia Ferreira (PPS). Todas reforçaram a argumentação em favor do respeito à participação da mulher concretamente, sem disfarces. “Nós temos que lutar para ter uma politica que nos orgulhe. Tirar a mulher deste silêncio”, refletiu Liza Prado.
Para a deputada Ana Maria Resende “uma sociedade democrática de fato é aquela que oferece oportunidades iguais e, hoje, o Brasil não oferece isso, pois fecha portas às mulheres. A cada ano, diminui o contingente feminino nos espaços públicos. Aqui na ALMG já fomos doze. Hoje somos apenas cinco mulheres”, lamentou ela.
Já a deputada Luzia Ferreira alertou que a “ausência da mulher nos espaços de poder é impensável em uma democracia plena, que inexiste se não houver pluralidade”.
O único representante da bancada masculina da ALMG, deputado Dilzon Melo (PTB), reiterou as declarações, reforçando a importância da participação feminina. Segundo ele, “as mulheres trazem mais sentimento e organização”. Com isto, elas fazem um contraponto ao pragmatismo masculino. Ele ainda destacou uma pesquisa feita no Estado que teria atestado o alto índice de confiabilidade delas, “17% maior do que o dos homens”, garantiu o representante da presidência da Casa.