Vacinação contra HPV começa nesta segunda-feira (10)
Meninas de 11 a 13 anos serão vacinadas. Elas devem receber três doses da vacina. A segunda após seis meses e a terceira após 5 anos
A partir da próxima segunda-feira (10), postos de saúde de todo o País começam a ofertar a vacina contra o HPV. O lançamento oficial da campanha de vacinação acontece em São Paulo, na sede da Prefeitura, às 15h, com a presença da presidenta Dilma Rouseff. Porém, os postos começam a vacinar as crianças já a partir das 8h.
A vacina que previne o câncer de colo de útero tem como público-alvo meninas de 11 a 13 anos. Cada menina deve receber três doses da vacina para estar imunizada contra o HPV. Após a primeira dose, a segunda deverá ocorrer em seis meses. E a terceira, 60 meses após a primeira dose (5 anos). A vacina tem eficácia comprovada para mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus. A vacinação será realizada nas escolas e postos de vacinação do SUS.
HPV e câncer
A vacina contra HPV que será distribuída no SUS é a quadrivalente, que previne contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18). Dois deles (16 e 18) respondem por 70% dos casos de câncer de colo de útero, responsável atualmente por 95% dos casos de câncer no País.
O HPV é capaz de infectar a pele ou as mucosas e possui mais de 100 tipos. Do total, pelo menos 13 têm potencial para causar câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que 32% estão infectadas pelos tipos 16, 18 ou ambos. No Brasil, a cada ano, 685, 4 mil pessoas são infectadas por algum tipo do vírus.
Confira as respostas para as principais dúvidas sobre a vacinação:
Como a vacina contra HPV funciona?
Estimulando a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes anticorpos no local da infecção e a sua persistência durante um longo período de tempo.
A vacina será oferecida no SUS?
Sim. A vacina HPV será ofertada para meninas e pré-adolescentes entre 09 a 13 anos, nas unidades básicas de saúde e também em escolas públicas e privadas, de forma articulada com as unidades de saúde de cada região.
No entanto, a sua implantação será gradativa. Em 2014, a população alvo da vacinação contra HPV será composta por adolescentes do sexo feminino na faixa etária de 11 a 13 anos. Em 2015, serão vacinadas as adolescentes na faixa etária de 9 a 11 anos e a partir de 2016, serão vacinadas as meninas de 9 anos de idade.
Qual é o objetivo estabelecido pelo Ministério da Saúde com a vacinação contra HPV?
O objetivo da vacinação contra HPV no Brasil é prevenir o câncer de colo do útero, refletindo na redução da incidência e da mortalidade por esta enfermidade.
Por que o Ministério da Saúde estabeleceu a faixa etária de 9 a 13 anos para a vacinação?
Nas meninas entre 9 a 13 não expostas aos tipos de HPV 6, 11, 16 e 18, a vacina tem eficácia de 98,8%. A época mais favorável para a vacinação é nesta faixa etária, de preferência antes do início da atividade sexual, ou seja, antes da exposição ao vírus.
Estudos também verificaram que nesta faixa etária a vacina quadrivalente induz melhor resposta quando comparada em adultos jovens, e que meninas vacinadas sem contato prévio com HPV têm maiores chances de proteção contra lesões que podem provocar o câncer uterino.
Qual é a meta da vacinação contra HPV definida pelo Ministério da Saúde?
A meta é vacinar pelo menos 80% do grupo alvo, que em 2014 é de 5,2 milhões de adolescentes de 11 a 13 anos.
Quantas doses são necessárias para a imunização?
Para receber a dose, basta apresentar o cartão de vacinação ou documento de identificação. Cada adolescente deverá tomar três doses para completar a proteção, sendo que a segunda, seis meses depois, e a terceira, cinco anos após a primeira dose.
A vacina é administrada por via oral ou é injeção?
É por via intramuscular – injeção de apenas 0,5 mL em cada dose.
A vacinação contra HPV substituirá o exame de Papanicolaou?
Não. É importante lembrar que a vacinação é uma ferramenta de prevenção primária e não substitui o rastreamento do câncer de colo do útero em mulheres na faixa etária entre 25 e 64 anos. Assim, as meninas vacinadas, só terão recomendação para o rastreamento quando atingirem a faixa etária preconizada para o exame Papanicolaou e já tiverem vida sexual ativa.
É imprescindível manter a realização do exame preventivo (exame de Papanicolaou), pois as vacinas protegem apenas contra dois tipos oncogênicos de HPV, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero. Ou seja, 30% dos casos de câncer causados pelos outros tipos oncogênicos de HPV vão continuar ocorrendo se não for realizada a prevenção secundária, ou seja, pelo rastreamento (exame Papanicolaou).
Mesmo vacinada será necessário utilizar preservativo durante a relação sexual?
Sim, pois é imprescindível manter a prevenção contra outras doenças transmitidas por via sexual, como HIV, sífilis, hepatite B, etc.
A vacina contra HPV pode ser administrada concomitantemente com outra vacina?
A vacina HPV pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas do Calendário Nacional de Vacinação do PNI, sem interferências na resposta de anticorpos a qualquer uma das vacinas. Quando a vacinação simultânea for necessária, devem ser utilizadas agulhas, seringas e regiões anatômicas distintas.
PRODUÇÃO NACIONAL – Para a produção da vacina contra o HPV, o Ministério da Saúde firmou Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Instituto Butantan e o laboratório privado Merck Sharp & Dohme (MSD). Será investido R$ 1,1 bilhão na compra de 41 milhões de doses da vacina durante cinco anos – período necessário para a total transferência de tecnologia ao laboratório brasileiro. A PDP possibilitou uma economia estimada de R$ 83,5 milhões na compra da vacina em 2014. O Ministério da Saúde pagará R$ 31,02 por dose, o menor preço já praticado no mercado.
O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relações sexuais. Por tratar-se de um vírus que se transmite com muita facilidade, considera-se que o HPV seja a infecção sexualmente transmitida mais comum no mundo, com quase todas as pessoas sexualmente ativas tendo contato com o vírus em algum momento da sua vida.
Na grande maioria, o HPV cura-se espontaneamente, mas em algumas mulheres eles produzem lesões que podem desencadear o câncer de colo do útero. O HPV também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estima-se que 270 mil mulheres, no mundo, morrem devido ao câncer de colo do útero. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 15 mil novos casos e cerca de 4,8 mil óbitos nesse ano.
|
População-alvo e total de doses da vacina para 2014, por UF |
|||
|
UF |
População- Alvo |
*Quantidade para as duas primeiras doses | |
| Rondônia |
47.079 |
98.880 |
|
| Acre |
27.185 |
57.100 |
|
| Amazonas |
122.936 |
258.180 |
|
| Roraima |
16.169 |
33.960 |
|
| Pará |
256.239 |
538.120 |
|
| Amapá |
24.894 |
52.280 |
|
| Tocantins |
43.669 |
91.720 |
|
| NORTE |
538.171 |
1.130.240 |
|
| Maranhão |
221.146 |
464.420 |
|
| Piauí |
93.297 |
195.940 |
|
| Ceará |
257.345 |
540.440 |
|
| Rio Grande do Norte |
88.782 |
186.460 |
|
| Paraíba |
104.710 |
219.900 |
|
| Pernambuco |
253.328 |
532.000 |
|
| Alagoas |
103.013 |
216.340 |
|
| Sergipe |
63.391 |
133.140 |
|
| Bahia |
402.042 |
844.300 |
|
| NORDESTE |
1.587.054 |
3.332.940 |
|
| Minas Gerais |
509.076 |
1.069.060 |
|
| Espírito Santo |
91.820 |
192.840 |
|
| Rio de Janeiro |
396.989 |
833.680 |
|
| São Paulo |
1.010.397 |
2.121.840 |
|
| SUDESTE |
2.008.282 |
4.217.420 |
|
| Paraná |
272.994 |
573.300 |
|
| Santa Catarina |
157.463 |
330.680 |
|
| Rio Grande do Sul |
258.142 |
542.100 |
|
| SUL |
688.599 |
1.446.080 |
|
| Mato Grosso do Sul |
67.419 |
141.580 |
|
| Mato Grosso |
85.103 |
178.720 |
|
| Goiás |
161.885 |
339.960 |
|
| Distrito Federal |
67.211 |
141.160 |
|
| CENTRO OESTE |
381.618 |
801.420 |
|
| BRASIL |
5.203.724 |
10.928.100 |
|
*Ministério da Saúde envia 5% a mais de doses para estoque estratégico.